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Raio de giro de caminhão: os raios do DNIT e a área de varredura

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Founder & Developer · Publicado em · Reading time: 11 min de leitura

CaminhãoRaio de giroVarreduraDNITCONTRANDXF
Planta impressa com a área de varredura de um caminhão de dois eixos, ponto de referência e ficha técnica do veículo sobre uma prancheta apoiada no capô, com o portão do terreno e um caminhão ao fundo
Planta impressa com a área de varredura de um caminhão de dois eixos, ponto de referência e ficha técnica do veículo sobre uma prancheta apoiada no capô, com o portão do terreno e um caminhão ao fundo · Imagem ilustrativa, gerada por IA

Quem procura o raio de giro de caminhão espera um número, mas o DNIT imprime mais de um. A Tabela 25 do IPR-740, que reúne os veículos de projeto do DNIT, imprime para cada classe três: o raio mínimo da roda externa dianteira, o raio de giro do eixo dianteiro e o raio mínimo da roda interna traseira. A Tabela 6 do Manual de Projeto de Interseções (IPR-718) imprime dois: o da roda externa dianteira e o da roda interna traseira. A ficha técnica do fabricante pode trazer outro, sem dizer onde foi medido. Nenhum deles diz sozinho se o caminhão passa pelo portão: quem decide é a varredura, a área que o veículo cobre durante a manobra inteira.

Qual é o raio de giro de um caminhão: os valores do DNIT

O Manual de Projeto Geométrico de Travessias Urbanas (Publicação IPR-740) é um manual técnico do DNIT, aprovado pela Diretoria Colegiada em 30 de agosto de 2010; não é lei. No §5.1.3 (p. 174), ele define o raio mínimo de giro, seguindo a AASHTO, como o raio da trajetória descrita pela roda externa dianteira no giro mais fechado possível, em baixa velocidade, em geral nunca superior a 15 km/h. A nota técnica NT 187-A/95 da CET-SP registra o mesmo ponto: o raio de curva de um veículo é medido pela roda frontal externa.

A Tabela 25 (p. 179) traz os valores das nove classes. Para caminhões rígidos e carreta (fonte: DNIT, IPR-740, Tabela 25):

Veículo de projetoCO (caminhão/ônibus convencional)O (ônibus urbano longo)CA (carreta)
Largura total2,6 m2,6 m2,6 m
Comprimento total9,1 m12,2 m18,6 m
Raio mín. da roda externa dianteira12,8 m12,8 m13,7 m
Raio de giro do eixo dianteiro (RED)11,5 m11,5 m12,5 m
Raio mín. da roda interna traseira8,7 m7,1 m6,1 m

Duas leituras evitam erro. Na carreta CA, o raio interno é o do pneu traseiro interno da última unidade rebocada, o semirreboque, e não do cavalo mecânico (IPR-740, p. 183). E a tabela não imprime distância entre eixos nem balanços: o manual informa que gabaritos, dimensões e menores valores de giro estão representados graficamente nas Figuras 46 a 60. Esses valores saem do desenho da sua classe.

Rm, Rb e Re: três raios, três pontos do veículo

O manual de gabaritos de giro do DEINFRA-SC (portal da SIE-SC) dá nome aos três pontos, com as rodas dianteiras giradas ao máximo:

  • raio mínimo interno (Rm): gerado pelo percurso da face externa da roda traseira interna;
  • raio mínimo de bitola (Rb): gerado pelo percurso da roda dianteira externa;
  • raio mínimo externo (Re): gerado pela parte extrema dianteira do veículo, o canto dianteiro da cabine ou o para-choque.

O DEINFRA-SC diz assim onde mede cada raio. A Tabela 25 do IPR-740 nomeia em cada linha só a roda (externa dianteira, interna traseira) ou o eixo dianteiro, sem indicar a face do pneu; nas classes articuladas, o manual informa que o raio interno é o do pneu traseiro interno da última unidade rebocada (p. 183). Um raio medido na carroceria, como o Re, não aparece na tabela do DNIT. O mesmo manual explica, no item 1.4, por que o caminhão precisa de mais largura na curva: as rodas traseiras descrevem um raio menor que as dianteiras, e com semirreboques, reboques e ônibus articulados a faixa ocupada fica especialmente larga. É daí que vem a superlargura.

O IPR-740 chama de varredura (swept path) a área que o veículo cobre: "área coberta pela passagem do veículo em seu deslocamento, situada entre as trajetórias do ponto externo do balanço dianteiro e da face do pneu traseiro do lado interno da curva" (§5.1.6, p. 180). No modelo do PathSweeper, a borda interna da área de varredura é dada pela roda traseira interna, na altura do eixo.

Raio ou diâmetro, meio-fio ou parede

Antes de usar qualquer número, responda: é raio ou diâmetro? Foi medido entre meios-fios (no pneu) ou entre paredes (no ponto mais saliente da carroceria)? Um diâmetro lido como raio dobra o espaço que você atribui ao veículo; um raio lido como diâmetro o reduz à metade, e aí a curva desenhada não funciona.

Um valor medido entre meios-fios não inclui o balanço dianteiro, que passa por fora da trilha do pneu. Se a ficha não disser onde mediu, trate o número como medido entre meios-fios: é a leitura prudente, porque obriga a somar o balanço. O erro perigoso é o inverso: ler como entre paredes um valor medido no pneu faz o veículo modelado girar mais fechado do que o real.

Exemplo: a ficha técnica do Volvo FH 4x2T

A ficha técnica brasileira do Volvo FH 4x2T, atualizada em 05/05/2021, é um caso real. Para a versão com entre-eixos de 3 500 mm, ela imprime balanço dianteiro de 1 365 mm, largura da cabine de 2 495 mm e "Raio de giro 7025" (mm). Para o entre-eixos de 3 700 mm, o raio de giro é 7 330 mm.

A ficha não diz se esses 7 025 mm são medidos no pneu, entre meios-fios ou no para-choque. Pela regra acima, o valor vai para o editor como diâmetro de giro sem especificação, que o PathSweeper trata como entre meios-fios: 2 × 7,025 m = 14,05 m. Junto com ele entram entre-eixos de 3,50 m e balanço dianteiro de 1,365 m. A ficha dá a largura da cabine, não a largura total do veículo: se usar esse valor como largura no editor, registre isso na memória de cálculo.

O número vale para esse modelo e esse entre-eixos, não para cavalos mecânicos em geral, e a geometria do semirreboque não está nessa ficha. E um raio de giro, mesmo lido corretamente, descreve só o giro em regime permanente, com as rodas dianteiras giradas ao máximo; a largura ocupada numa manobra real sai da varredura.

Dimensões máximas: Resolução CONTRAN nº 882/2021

Os limites para veículos que não necessitam de AET ou AE estão no art. 4º da Resolução CONTRAN nº 882/2021, em vigor desde 3 de janeiro de 2022, que revogou as Resoluções nº 210 e 211/2006:

Grandeza (art. 4º)Máximo
Largura2,60 m
Altura4,40 m
Comprimento, veículos não articulados14,00 m
Comprimento, veículos articulados de transporte coletivo de passageiros19,80 m
Comprimento, caminhão ou ônibus e reboque19,80 m
Comprimento, articulados com mais de duas unidades19,80 m

Para caminhão-trator e semirreboque existem hoje dois textos. A redação de 2021 do art. 4º, III, e) fixa 18,60 m; a Deliberação CONTRAN nº 270, de 5 de dezembro de 2023, editada ad referendum do Colegiado e em vigor desde a publicação, reescreveu a mesma alínea para 19,30 m. Confira qual texto está vigente antes de adotar um dos dois.

A mesma resolução limita o balanço traseiro dos veículos de carga não articulados a 60 % da distância entre os dois eixos, sem passar de 3,50 m, e o de reboques e semirreboques a 3,50 m (art. 4º, § 2º). As CVC com mais de duas unidades e PBTC acima de 57 t ou comprimento acima de 19,80 m só circulam com AET (art. 18). O §5.1.4 do IPR-740 (2010) ainda cita os limites das Resoluções nº 210 e 211/2006 e 305/2009, e a ficha 3.5.2.2 da Prefeitura de São Paulo ainda lista a Resolução nº 210/2006 como legislação pertinente; para os máximos, vale a Resolução nº 882.

Raio de giro de um carro

Para o veículo leve VP (2,1 m de largura, 5,8 m de comprimento), a Tabela 25 do IPR-740 imprime raio mínimo da roda externa dianteira de 7,3 m e raio mínimo da roda interna traseira de 4,7 m. A ficha de um carro específico se lê com as mesmas duas perguntas da seção anterior.

A CET-SP indica o gabarito P para estacionamentos e para conversões exclusivas em vias estruturais tipo II, III e IV (NT 187-A, Quadro 1), e a ficha 3.5.2.2 da Prefeitura de São Paulo recomenda o gabarito de veículo de passeio apenas para áreas internas de estacionamentos onde não está prevista a circulação de caminhões ou ônibus. Para rampas, vagas e faixas de circulação, veja o artigo sobre área de manobra.

Da ficha técnica à área de varredura, passo a passo

Para definir o raio de concordância mínimo de uma esquina, a ficha 3.5.2.2 da Prefeitura de São Paulo considera imprescindível usar gabaritos de raios de giro, impressos, digitais ou por software específico, para simular as manobras de cada tipo de veículo. No navegador, o caminho para verificar um acesso é este:

  1. Enviar a planta: imagem (JPG, PNG) ou PDF da planta de situação ou do levantamento. O envio de DWG e DXF faz parte do Pass Projeto.
  2. Calibrar a escala: marque uma distância conhecida da planta e informe o valor.
  3. Escolher o veículo: sem cadastro há quatro veículos padrão genéricos (carro, van de entrega, caminhão de dois eixos, ônibus), modelos genéricos e não veículos de projeto oficiais. O PathSweeper não traz os veículos de projeto do DNIT na biblioteca: você digita as dimensões do manual ou da ficha técnica no editor de veículos personalizados. Criar e salvar um veículo personalizado é gratuito (com uma conta); usá-lo em um projeto exige o Pass Projeto desse projeto ou o Pass Anual.
  4. Informar o raio: o editor aceita cinco formas, diâmetro de giro entre meios-fios, entre paredes ou sem especificação (tratado como entre meios-fios), raio de giro externo entre paredes e raio interno (roda traseira interna). Todas pedem também entre-eixos, balanço dianteiro e largura. Informe um só valor, o editor deriva o resto: os 12,8 m do CO entram como diâmetro entre meios-fios de 25,6 m, ou os 8,7 m da roda interna traseira como raio interno. O RED não entra, nem o raio interno das classes articuladas, que é o da última unidade rebocada (a opção do editor se refere à roda traseira do cavalo mecânico).
  5. Traçar a trajetória: da rua para dentro do acesso, para frente ou em ré. Girar as rodas em movimento, com o esterçamento crescendo enquanto o veículo anda, alarga um pouco a varredura e faz parte do Pass; girar as rodas parado é a hipótese mais compacta. A velocidade da simulação é limitada a 15 km/h, um limite do aplicativo e não do DNIT.
  6. Ler a área de varredura: ela aparece em tempo real. As trilhas das rodas mostram onde passa a roda traseira interna; a folga da carroceria soma a margem que você definir, que não é a folga do DNIT.

Para começar, confira a varredura no navegador.

Raio de giro de caminhão em DWG

Um bloco DWG de raio de giro vale para o veículo e a curva para os quais foi desenhado. Antes de inseri-lo na planta, procure no arquivo qual veículo ele representa e em que ponto o raio foi medido; se não houver, o bloco não pode ser verificado. A manobra gerada sobre a sua planta sai, com o Pass Projeto, em DXF ou DWG, com a varredura, o eixo da trajetória e as silhuetas do veículo. Se quiser, antes de exportar posicione um ponto de referência em algo que você reconheça no desenho CAD, como a quina de um edifício: ele vira a origem (0,0) do arquivo; sem ele, o desenho tem uma origem arbitrária. PNG, JPEG e PDF (imagem) são gratuitos. Se você recebeu a planta em DWG e só precisa abri-la, o conversor de DWG para DXF é gratuito e não pede cadastro.

Erros frequentes

  1. Usar o RED como raio do veículo. O raio de giro do eixo dianteiro é medido no centro do eixo; o pneu externo e a carroceria passam por fora dele.
  2. Tratar um valor sem especificação como entre paredes. O veículo modelado gira mais fechado do que o real.
  3. Projetar só para o caminhão que opera hoje. Pelo IPR-740, projetar para um veículo de projeto significa, em termos gerais, que os veículos iguais ou menores terão condições iguais ou melhores; os maiores podem operar em condições menos favoráveis que as mínimas. Se um caminhão maior puder vir a usar o acesso, verifique também esse.

Perguntas frequentes

Não existe um número só. A Tabela 25 do Manual de Projeto Geométrico de Travessias Urbanas do DNIT (IPR-740, p. 179) imprime três raios por veículo de projeto. Para o CO (caminhão/ônibus convencional, 9,1 m): raio mínimo da roda externa dianteira 12,8 m, raio de giro do eixo dianteiro 11,5 m, raio mínimo da roda interna traseira 8,7 m. Para a carreta CA (18,6 m): 13,7 m, 12,5 m e 6,1 m, este último medido no pneu interno traseiro do semirreboque. Para um caminhão específico, o dado vem da ficha técnica do fabricante, e é preciso saber em que ponto ele foi medido.

A Resolução CONTRAN nº 882/2021, em vigor desde 3 de janeiro de 2022, fixa no art. 4º as dimensões dos veículos que não necessitam de AET ou AE (largura máxima de 2,60 m, altura máxima de 4,40 m, comprimento de no máximo 14,00 m para veículos não articulados). Os raios de giro de projeto estão nos manuais do DNIT: o IPR-740 define o raio mínimo de giro pela trajetória da roda externa dianteira no giro mais fechado, em baixa velocidade, em geral nunca superior a 15 km/h, e imprime os valores de cada veículo de projeto na Tabela 25. O IPR-740 é um manual técnico aprovado pela Diretoria Colegiada do DNIT, não uma lei.

Para o veículo de projeto VP (veículo leve: 2,1 m de largura e 5,8 m de comprimento), a Tabela 25 do IPR-740 do DNIT imprime raio mínimo da roda externa dianteira de 7,3 m e raio mínimo da roda interna traseira de 4,7 m. Um carro específico tem o seu próprio valor na ficha técnica, que pode ser um raio ou um diâmetro e nem sempre diz onde foi medido. Se a ficha não disser, trate o número como medido entre meios-fios: é a leitura prudente, porque obriga a somar o balanço dianteiro.

É o raio da trajetória descrita pela roda externa dianteira quando o veículo faz o giro mais fechado possível, em baixa velocidade. É essa a definição do Manual de Projeto Geométrico de Travessias Urbanas do DNIT (IPR-740, §5.1.3), que a toma da AASHTO, e a nota técnica NT 187-A da CET-SP registra o mesmo ponto de medição. O raio mínimo de giro depende da largura, da distância entre eixos e do comprimento total do veículo. Não é o espaço que o veículo ocupa na curva: esse espaço é a varredura, a área entre a trajetória do balanço dianteiro externo e a do pneu traseiro interno.

Um bloco DWG de raio de giro só vale para o veículo e a curva para os quais foi desenhado. Antes de usá-lo, confira no arquivo qual veículo ele representa e em que ponto o raio foi medido; sem essas duas informações, o bloco não pode ser verificado. A alternativa é gerar a manobra sobre a sua própria planta e levá-la ao CAD: no PathSweeper você calibra a escala, traça a trajetória e exporta a área de varredura em DXF ou DWG com o Pass Projeto. Se antes posicionar um ponto de referência em algo que você reconheça no desenho CAD, ele vira a origem (0,0) do arquivo; sem ele, o desenho tem uma origem arbitrária. A exportação em PNG, JPEG e PDF (imagem) é gratuita.

Se por caminhão truck você entende o rígido de três eixos, o IPR-740 do DNIT inclui na classe O os caminhões com três eixos (trucão) de maiores dimensões que o veículo CO básico, junto com os ônibus urbanos longos. A Tabela 25 imprime para o O comprimento de 12,2 m, largura de 2,6 m, raio mínimo da roda externa dianteira de 12,8 m e raio mínimo da roda interna traseira de 7,1 m. A distância entre eixos e os balanços do O não estão na Tabela 25: o manual os representa nas Figuras 46 a 60. Para um modelo específico, use a ficha técnica do fabricante.

Fontes e referências

  1. DNIT, Manual de Projeto Geométrico de Travessias Urbanas (Publicação IPR-740, 2010): §5.1.3 p. 174 (raio mínimo de giro), Tabela 25 p. 179, §5.1.6 pp. 180 e 183 (varredura), Figuras 46 a 60 — DNIT, Instituto de Pesquisas Rodoviárias
  2. DNIT, Manual de Projeto de Interseções (Publicação IPR-718, 2ª edição, 2005): Tabela 6 p. 80 — DNIT, Instituto de Pesquisas Rodoviárias
  3. Resolução CONTRAN nº 882, de 13 de dezembro de 2021: art. 4º (dimensões máximas, balanço traseiro), art. 18 (AET), arts. 64 e 65 (revogações e vigência) — Ministério dos Transportes, CONTRAN
  4. Deliberação CONTRAN nº 270, de 5 de dezembro de 2023 (ad referendum): nova redação do art. 4º, III, e) da Resolução nº 882 — Ministério dos Transportes, CONTRAN
  5. DEINFRA-SC, manual de gabaritos de giro (portal da SIE-SC): item 1.3 Raios de Curvatura (Rm, Rb, Re) e item 1.4 Superlargura — Secretaria de Estado da Infraestrutura de Santa Catarina
  6. CET-SP, NT 187-A/95 Utilização dos Gabaritos de Giro e Determinação de Seções Transversais: II.1 (até 20 km/h), II.2 Quadro 1, II.4 (raio medido pela roda frontal externa) — Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo
  7. Prefeitura de São Paulo, Manual de Desenho Urbano e Obras Viárias, ficha 3.5.2.2 Raio de Concordância — Prefeitura de São Paulo
  8. Volvo Caminhões Brasil, Ficha Técnica FH 4x2T (atualização de 05/05/2021): entre eixos, balanço dianteiro, largura da cabine, raio de giro — Volvo do Brasil Veículos Ltda.

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